Acerca do calendário

In: Geral

11 Dec 2007

Resposta de um amigo para o mail.

Escolha: Outubro

“Porque é o que me causa, pessoalmente, maior impacto.
Principalmente por dois motivos:
1) É o que tem, no meu pobre entendimento, a imagem com a linguagem mais fresca. E isto prende-se muito simplesmente com o facto de não a identificar ou ligar imediatamente a algo que eu já tenha visto antes.
2) Remete-me para um universo mais intrigante que qualquer uma das outras, o que me parece bastante sugestivo, tendo em conta aquilo com os calendários lidam, ou seja, os dias, nomeadamente os dias que estão para vir.

Janeiro
Gosto, embora me pareça um cliché tremendo enfiar lá uma frase do Fernando Pessoa. Pessoa é brilhante, mas toda a gente usa.
Faz-me lembrar as capas do Blue Bell Knoll dos Cocteau Twins e do Pornography dos The Cure.

Fevereiro
Não gosto assim tanto. Faz-me lembrar as capas dos livros da Joanne Harris.
E depois parece obliterar todo o mês concentrando a mensagem toda num dia só. Só faltava vir com um vale de compras da Fnac especial dia dos namorados anexado.

Março
Gosto. É denso, mas suficientemente sereno para nem se tornar aborrecido nem exigir demasiada atenção. O meu tipo de calendário. Seria a minha terceira escolha e, possivelmente, a médio prazo, acabaria por se tornar num dos meus dois favoritos.

Abril
Sofre do mesmo mal que Fevereiro por concentrar o tema num só dia, o que, na minha ignorante perspectiva, é limitador. Gosto do tom provocatório, mas a frase promocional parece-me despropositada e desenquadrada, tanto em termos conceptuais como gráficos

Maio
Gosto bastante. É possivelmente o melhor de todos e aquele que eu compraria se tivesse de comprar algum para pendurar. Neste momento estou mais virado para Outubro, mas é muito provável que esta fosse a minha escolha ponderada.
Pondo as coisas em termos ridículos, Outubro seria uma paixão arrebatadora, mas depois casava-me com Maio.

Junho
Desiquilibrado. A menos que seja um calendário muito pessoal, o tema não faz grande sentido para Junho. Há demasiadas bolhinhas e não consigo perceber a razão para aquela imagem no canto superior direito que sai do olho da personagem. Freud deve explicar e o Marcelo Rebelo de Sousa sabe concerteza o que é, mas para mim é um ovni e não faz sentido.

Julho
Giro. Remete-me em demasia para o génio de Hundertwasser. Parece-me fazer uma síntese entre esse excelso criador e aquela nova (ou nem tanto) vaga de desenhos animados em que o que interessa de facto é o argumento e em que os desenhos são horríveis, tipo Cow & Chicken. Ideal para crianças ou para raparigas joviais. Na minha parede não durava dois segundos. É cor a mais.

Agosto
Parece um cartaz da Olá. Só lá falta um perna de pau. E mais não digo.

Setembro
Não desgosto. Sugere-me dinamismo e a combinação de cores é ousada. Não descortino porquê, pois não estou a ver a relevância do dia 4 de Setembro, mas, a ter alguma, poderá validar igualmente alguma limitação do tema, o que, para mim, é obliterador num calendário.

Outubro
Mais do que o aspecto gráfico, é o conceito que me chama a atenção.
Agrada-me a estranheza de se pegar numa ficção e constrangi-la às arbitrariedades da realidade. Afinal até para os Aliens há Outono, não é verdade? Mas no meio dessa redução, que só por si já é fascinante, o calendário mantém uma auréola de mistério aliada a um ambiente Cyberpunk, que, pronto, gosto.

Novembro
Gosto. Ou gostaria se não tivesse a frase sobre a água. É assim como aquelas gajas muito engraçadas com quem se mete conversa e passado dois minutos estás a pensar em simular um ataque de pânico para teres uma razão para bazar muito rápido para não teres de a ouvir mais. Deixou de ser uma calendário para ser um anúncio publicitário. Não aprecio muito coisas com dupla personalidade. Mesmo considerando que a mensagem é importantíssima.
Mas não é isso que está em causa…

Dezembro
Está para os calendários como aquelas t-shirts que algumas mamãs usam com a fronha dos bébés estampada estão para a roupa em geral. A criança é simpática…

Espero ter sido esclarecedor em relação às razões da minha escolha”

Obrigado Marcelo!

2 Responses to Acerca do calendário

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Lassie Garrett

December 14th, 2007 at 11:03 pm

Just brilliant.

PS. Se não conhecesse o artista em causa , e tal a qualidade da critica aduzida no mail, teria algumas dúvidas sobre a sua inclinação sexual…

Para a esquerdsa ou para a direita entenda-se…

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andré de dâda maia

December 15th, 2007 at 6:05 pm

Prefiro não discutir a minha inclinação sexual em termos ideológicos. Embora a mesma esteja claramente conotada com um bloco central, parece-me que o que mais se destaca será não tanto o lado para que pende, mas a amplitude que a sua mensagem atinge. Em termos clínicos, poder-se-ia falar inclusivamente de uma condição denominada “anemia eréctil”. O fluxo sanguíneo perde o controlo por motivos relacionados com a inalação de feromonas ou com a visualização de imagens ginemórficas (passe o castelhanismo) e concentra-se num único orgão que, pelo absurdo das suas dimensões, leva à falência da irrigação sanguínea às restantes partes do corpo, provocando, amiúde, desmaios, vómitos, morte e, em casos extremos, aversão a cerveja e falta de vontade de ver futebol. Os sintomas são terríveis, mas os efeitos parecem agradar de sobremaneira às senhoras. Enfim, temos que viver com as nossas limitações…

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